Rádio Grilo

08. Lívia Rebehy: Observação de Aves (Birdwatching), Preservação Ambiental, Ciência Cidadã, Espécies Ameaçadas e a Rolinha-do-planalto

João Agapito Episode 8

A Lívia Rebehy é fotógrafa e apaixonada pela observação de aves (birdwatching), que, apesar de ser uma atividade pouco conhecida pelo público em geral, tem um papel muito importante na conexão de pessoas à natureza e na preservação ambiental. 

Nessa conversa, ela compartilha seus primeiros passos na observação de aves, bem como suas expedições pelo Brasil e exterior em busca de novas espécies. Ela também aborda o papel fundamental dos observadores na ciência cidadã, discute os equipamentos essenciais, explora os desafios da prática e destaca como o turismo de observação de aves impacta positivamente a economia e a conservação da biodiversidade.

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João Agapito (00:00)
Fala galera, sejam muito bem vindos a Rádio Grilo, o seu podcast do Mundo Outdoor

E no episódio de hoje a gente vai falar com a Lívia, ela que é praticante da observação de essa atividade tão conhecida assim do público geral, mas bastante interessante,

João Agapito (00:17)
Então ela começou observar aves não faz muito tempo, mas desde então ficou obcecada pela prática e já viajou o Brasil todo e até para fora do país busca de novas espécies. aí nesse bate papo, ela contou para a gente pouco mais sobre os aspectos, como ela se prepara, sobre como funciona essa prática

e ela falou também sobre o papel importante que os observadores de aves têm não só para a preservação das próprias aves como também do meio ambiente como todo então foi bate-papo bastante interessante eu aprendi muito e espero que vocês gostem também bora lá

João Agapito (01:23)
Boa, Olivia, antes de mais nada, muito obrigado por ter aceitado o convite para esse bate-papo.

você está me escutando bem?

Lívia Rebehy (01:28)
eu falei, gente,

o João com os convidados super chiques! E me convidar? Eu sou péssima pra falar! Nossa! ver o que você vai conseguir extrair aqui!

João Agapito (01:37)
Que isso?

Não, que isso, você é chique

João Agapito (01:42)
muito ansioso pra esse bate-pá, porque é uma coisa 100 % nova pra mim. Eu nunca conversei com uma pessoa da observação de aves, né?

E eu acho tópico muito interessante.

Lívia Rebehy (01:51)
Totalmente. Nossa,

é muito, é apaixonante, João. Se você começar, não para mais. É uma coisa assim, eu brinco que observação de aves, para mim, é minha meditação. Porque quando eu vou para o mato, para o campo...

Eu, sabe quando você sente assim, sua cabeça se esvazia completamente e eu esqueço de tudo, de todos os meus problemas, eu fico assim, completamente...

vidrada ali, não só nas aves, porque quando você sai pra passarinhar, você começa a observar tudo, uma flor, anfíbio, uma borboleta, os insetos geral, então é uma coisa assim muito fascinante, essa sensação, de você estar ali imersa na natureza e totalmente ali, presente, sem pensar mais nada. Então é uma sensação

assim, muito gostosa. Viciante. Viciante.

João Agapito (02:56)
Eu imagino que você,

por de aves, deve ter uma percepção, como você disse, muito mais aguçada de audição, às vezes até cheiro, não sei, mas eu imagino que a sua percepção na natureza deve ser muito mais aguçada do que uma pessoa comum.

Lívia Rebehy (03:09)
É.

É treino,

Porque quando eu comecei a observar, muito engraçado. Eu não sabia o que era tico-tico, bem-te-vi.

Sabia nada, não sabia dos cantos, Então, à medida que você vai saindo, você vai se habituando, O seu ouvido vai ser entrenado, seu olhar, qualquer movimentozinho ali no meio da brenha. Opa, tem bichinho ali. E é o treino mesmo, do olhar e do ouvido. É... Uhum, dá.

João Agapito (03:46)
que bacana e Olivia vamos vamos começar o começo então você é

de onde

Lívia Rebehy (03:50)
Eu moro Belo Horizonte, mas eu sou mineiríssima. Na verdade, eu morei patrocínio até ir para a faculdade. Eu nasci, fui criada patrocínio, uma cidade do interior, no alto Paranaíba, perto ali de Uberlândia, Patos de Minas. E vim para Belo Horizonte para fazer vestibular, fiz farmácia.

João Agapito (03:53)
Eu percebi pelo sotaque.

Lívia Rebehy (04:15)
e trabalho como farmacêutica até hoje. E a observação de aves, como que ela aconteceu na minha vida. A vida toda eu gostei muito de fotografia.

muito, assim. E ela foi mais aguçada a partir do momento que meu primeiro filho nasceu. Aí eu comecei a fotografar mais ainda. Cheguei a ter laboratório na minha casa, eu que revelava os meus filmes preto e branco, fazia as cópias. Era o meu hobby. Por muitos anos eu fiz isso. Bom, então fotografia é uma coisa que sempre existiu na minha vida, é uma paixão. Eu já fiz várias viagens.

imagens para fotografar também, mas passarinho, apesar de eu estar sempre contato com passarinho, assim que eu sempre gostei muito de zona rural, de mato, de natureza, não me chamava atenção. Na pandemia, naquele auge da pandemia, 2020, julho.

Eu fui para a fazenda do meu pai com os meus filhos, as namoradas dos filhos e passamos lá mês, porque foi aquele mês tenso, que estava todo mundo fechado dentro de casa, aquela coisa triste demais. E lá na fazenda,

A filha do funcionário lá, menininha de cinco anos na época, na Júlia, ela falou, Olivia, você já viu sangue de boi? Eu falei, sangue de boia na Júlia? Que isso? Ela é uma menina assim, sempre foi muito observadora, super interessada de coletar sementes, de brincar com sementes, aquela coisa saudável, né? Que toda criança devia fazer. Eu falei, vamos atrás e sangue de boi, eu não conheço. Aí fomos rodar,

fazenda

atrás do sangue de boi e era o passarinho príncipe eu até postei vídeo dele esses dias chama príncipe e lá eles chamam de sangue de boi gente quando eu encontrei sangue de boi eu não sei se porque eu tava assim precisando de ver coisa bonita de extrair né eu fiquei louca falei não vou fotografar esse bichinho e aí

A partir desse dia, eu nunca mais parei de observar aves. Eu fiquei na fazenda mais mês e aí eu comecei a fotografar todo o passarinho que eu via, não sabia nome E colega do meu marido, de é observador de aves. Aí eu mandava o WhatsApp, Marcelo, e esse aqui? Aí você sabia, esse aí.

ele falou do Iki Abes, falou, entra no Iki Abes, que é site a gente vai postando lá as aves que você fotografa e é uma coisa muito interessante que acaba que você tem histórico de tudo que você já

aprende muito através do ICHIADES. E aí, começou, setembro, eu voltei para o Belo Horizonte, continuei. Mesmo assim, na pandemia, a gente saía, fiz muitos amigos através da observação de aves, muitos, muitos amigos.

E aí a gente começa, assim, eu falo que a observação de aves ela é muito democrática. Qualquer pessoa esteja interessada observar aves, ela pode, porque você tem aqui Belo Horizonte vários parques.

Campos mesmo aqui perto que você pode ir para observar, vários locais aqui perto.

João Agapito (07:52)
Sim.

Lívia Rebehy (07:59)
Se você não quiser ter uma câmera, que às vezes a pessoa não tem condições de comprar, ela pode com binóculo. Inclusive, tem vários estrangeiros que vêm para o Brasil, observadores mesmo de aves. Muitos deles não gostam de fotografar. Eles só olham com binóculo, fazem as anotações.

João Agapito (08:13)
Sim.

Não, você está dando todo esse contexto sobre a observação de aves, já tenho várias perguntas aqui na minha mente.

começou a observar aves então, faz o quê? Sei lá, três, quatro anos. E de lá para cá, eu vi o seu perfil no Wiki Aves, você já tem centenas de aves, né? De diferentes espécies fotografadas. Então, eu imagino que desde que você começou, tem sido uma experiência, atividade bem intensa na sua vida, né?

Lívia Rebehy (08:48)
bem intensa, bem intensa. Aí, quando eu voltei para Belo Horizonte, eu achei, acho interessante contar isso, para eu te falar das minhas companheiras de viagem. Eu achei na internet uma veterinária, Melissa, que ela estava fazendo curso de observação de aves na pandemia.

Nessa época, ela nem cobrou o curso, a gente foi uma turma piloto dela, foi muito legal. Então, a gente tinha as aulas semanalmente, aí tinha pessoas do Rio Grande do Sul, de São Paulo, interior de São Paulo, de Goiás, várias. E a gente fez esse curso por ano, foi maravilhoso, ela deu o curso assim, e ela dá até hoje esse curso. Detalhadamente, etapa por etapa, falou das famílias, dos biomas, foi

uma aula maravilhosa. Quando terminou curso, a gente combinou de fazer o encontro no Rio de Janeiro, num lugar que chama Régua, Reserva Ecológica de Guapiaçu, lugar maravilhoso.

E aí nós encontramos lá. E eu convidei duas amigas, uma de Santa Catarina e uma de Uberlândia, eu disse pra elas, se vocês quiserem, venham pra BH e daqui eu vou com meu carro. E elas toparam, foi muito interessante, João, chegar as duas aqui que a gente só via assim, igual a gente tá...

nos vendo online, chegaram as duas, hospedaram aqui casa. No dia seguinte, nós fomos para a régua. Não só para a régua, a gente passou Terezópolis primeiro, depois fomos para outro lugar e depois para a régua. Contratamos guia muito bom.

João Agapito (10:19)
É só online,

Lívia Rebehy (10:37)
e ficamos lá uns três ou quatro dias. No último dia, nós falamos, gente, isso aqui tá muito bom, vamos continuar mais dia aqui? Aí ficamos, nós três, a turma voltou. Aí nós não paramos mais.

fevereiro, eu falei, gente, que tal irmos para Chapada Diamantina? Aí, nós três topamos tudo. Claro, vamos! Aí, organizamos a viagem para Chapada Diamantina. Depois, fomos para interior de São Paulo, fomos duas vezes para locais diferentes. sempre com guia, tá, João?

João Agapito (11:15)
Então sim,

então rodou o Brasil procurando pássaros, hábis.

Lívia Rebehy (11:21)
Depois fomos para o Acre, o Equador, fevereiro desse Depois, para o norte de Minas, vi uma espécie muito, muito especial, que a rolinha do planalto, que tem uma história assim ímpar, depois eu vou te contar.

João Agapito (11:23)
Oloco!

Lívia Rebehy (11:43)
Isso no norte de Minas. Aí a última que nós fizemos foi agora no Rio Grande do Sul, lá na pontinha, divisa com Uruguai. Cinco minutos do Uruguai. E depois para a Argentina, num lugar que chama Esteiros da Iberá.

que também tinha uma espécie que a gente queria muito fazer, que só tem lá, que é linda essa espécie, a tesoura do campo, que tem rabão assim, maravilhoso. Sempre com essas amigas, colegas do curso online, sabe? A gente ficou muito, muito amigas.

João Agapito (12:12)
Que isso, que pode terminar.

Sim.

Não,

que bacana. você acabou de comentar que rodou o Brasil e até fora do Brasil, né? Procurando essas diferentes espécies. E na minha percepção, o Brasil como país com uma fauna e uma flora muito diversas

deve ser país muito bom para fazer observação de aves no mundo,

Lívia Rebehy (12:40)
Muito, vem

muito estrangeiro, muito estrangeiro. Nós temos aproximadamente 1.971 espécies e muitas delas endêmicas. O que é endêmica? Só tem no Brasil. pessoas de fora têm alguns observadores de árvores que querem muitas espécies, muitas. Então, já chegam aqui com a lista pronta. Quero ver elas.

essa, essa, essa, essa. Então, eles contratam os guias aqui e vão busca dessas espécies que eles querem muito, só tem aqui no

João Agapito (13:17)
bacana. E assim, dentro

do Brasil, quais são as regiões mais populares?

Lívia Rebehy (13:22)
Amazônia é muito especial. Eu já fui duas, três vezes para Amazônia. Acho que são as espécies mais bonitas. Todas as espécies são lindas. Até o tico-tico, que o mais comum que você vê todo lugar, acho que a coisa mais linda do mundo. Adoro, todas.

Mas a Amazônia é muito especial, mas trabalhosa também, É bioma difícil, é fechado, às vezes tem espécies que alto, você não consegue ver direito, é sufrido, não é? Não é bioma fácil.

João Agapito (14:01)
Sim. E assim,

dentre os biomas, tem alguma diferenciação dos tipos de pássaros, assim, de uma maneira geral? Por exemplo, na Amazônia, você geralmente encontra os pássaros numa altura E na Mata Atlântica, enfim...

Lívia Rebehy (14:16)
É, como a

floresta amazônica, tem aquelas espécies de copa. Então, espécies de copa, é muito difícil você fazer uma foto boa dela. Por isso que tem, alguns locais lá na Amazônia, as torres de observação.

Perto de Manaus tem uma excelente, enorme. Museu da Amazônia, Manaus, eu estive lá, é maravilhoso. Você sobe numa torre gigante e aí você fica na altura do topo. é uma maravilha, João. É uma maravilha. A gente chega lá, escuro ainda.

Sobe na torre, foi muito legal. A guia que nos guiou lá, ela levou o café, levou o sanduichinho e a gente tomou o café lá na torre assim, dia amanhecendo. Aí você escuta barulho de arara.

de araçaria, aqueles gritos de arara, e o dia vai amanhecendo, amanhecendo, e os bichinhos começam a chegar pertinho. Aqueles bichinhos, bichinhos que eu falo as ápices, que você jamais iria conseguir fotografar se você não estivesse naquela Então hoje já existe. Aí agora eu estou tentando levar meu marido comigo, sabe?

João Agapito (15:34)
que legal!

Lívia Rebehy (15:40)
Ele é médico, coitado, ele não tem tempo direito nenhum, mas de vez quando eu falo, ó, marquei essa viagem tal, se vira aí, pode desmarcar. Aí a gente comemorou 30 anos de casado e final de agosto a gente foi para o Mato E nesse lugar que a gente estava, tinha duas torres de observação também. Foi muito, muito

João Agapito (15:48)
E

assim, desculpa minha ignorância, nossa, se você me pedisse para elencar os melhores estados para fazer observação de aves no Brasil, nunca colocaria Mato Grosso no topo, assim, para mim...

Lívia Rebehy (16:16)
Nossa, tanto o Mato Grosso do Sul onde eu estava, pegou a E eu não conheço o Pantanal ainda, não conheço Mato Grosso do Sul. Eu vou agosto, com meu marido, inclusive.

que a gente sabe que é uma maravilha, uma diversidade enorme e eu tô muito ansiosa pra conhecer o Pantanal.

João Agapito (16:39)
Não, que

E assim, verdade, erro meu porque quando falou de Mato Grosso o Pantanal não veio na minha cabeça, o veio primeiro foi plantação de soja, mas depois eu lembrei, nossa, o Pantanal é tipo bioma mega único no mundo, né?

Lívia Rebehy (16:48)
É, Pantanal.

E ali no norte pega uma faixa grande da Amazônia que é Sensacional.

João Agapito (16:59)
Olivia,

você comentou que muitos desses turistas gringos que vêm para o Brasil fazer as passarinhadas, eles nem mesmo tiram fotos, eles só vão com binóculo, com a cadernetinha para fazer anotações. Quais são os equipamentos necessários?

Lívia Rebehy (17:15)
Só fazer

parêntese aqui da cadernetinha, antigamente era cadernetinha. Hoje a gente tem uns aplicativos da Universidade de Cornell que é o eBurt.

então eu tô passarinhando. A minha cadernetinha é o eBird. Aí eu anoto, anu preto, quantos? Dois. Anu branco, quantos? Sete. Anota ali.

arara não sei o quê, anota, então você faz a lista. No final da passarinhada, você fecha a lista e envia. Isso é uma coisa maravilhosa, porque a partir do momento que os observadores de aves estão ali no e-bird anotando o que eles estão vendo e onde, porque ali tem o mapa, a localização exata de onde você está.

Você está cientista cidadão. Você não é cientista.

Mas você está ajudando a ciência, porque você está coletando dados e colocando ali no eBird. Então, de repente, você vai achar uma ave até que está desaparecida, igual já aconteceu. Uma ave fica há 75 anos dada como extinta, igual aconteceu com a rolinha do planalto.

Botumirim. Hoje Botumirim, somente lá você encontra pouquíssimos exemplares da rolinha do Planalto. Ela ficou 75 anos Acho que 2015, agora eu tô na dúvida, isso foi 2015, biólogo estava lá, ouviu,

João Agapito (18:51)
Que é isso? Que interessante isso,

Lívia Rebehy (19:00)
não conseguiu ver, voltou no dia seguinte e descobriu que era a rolinha do planalto, 75 anos desaparecida, dada como Então hoje, lá Botumerim, tem uma que a SAVE que não desapareça, mas ainda está correndo risco, que são pouquíssimos exemplares,

João Agapito (19:10)
isso?

Lívia Rebehy (19:23)
Então, numa dessa, você descobre, vezes, uma... Lógico que isso é raríssimo de acontecer, mas a importância de você coletar, às vezes, uma ave que nunca apareceu aqui Belo Horizonte, é uma ave lá do... Sei lá, do Espírito Santo só. Aí eu vejo aquela ave, nossa, essa ave tal está aqui Belo Horizonte, anoto, quer dizer, eu faço uma descoberta para ciência.

João Agapito (19:48)
Não, que incrível isso. desculpa minha ignorância, mas vamos lá, beleza. Observação de aves para além de... Okay, gosto de estar contato com a natureza, gosto do desafio de achar uma espécie X, uma espécie Y. Mas qual é o intuito no final das coisas? Beleza. Observo, faço uma notação. Mas aí tem meio que ranking entre os observadores de aves. Como é que...

Lívia Rebehy (20:10)
Tem, tem. Existe esse ranking, existe essa competição. Aqui no Brasil tem aquele que já está com mil, quase mil e sei lá quantos, chegando, acho que chegar na totalidade é muito difícil.

Uma coisa legal, só completando o a gente estava falando do WebBird, a gente tem duas vezes por ano o Global Big Day. O que é o Global Big Day? O mundo inteiro sai para fazer lista. Aí tem a competição mesmo de qual país observou mais, qual estado do Brasil observou mais, qual observador de aves fez mais lista. Aí nesse dia é como se fosse levantamento mundial.

Todo mundo sai para fazer lista. Normalmente acontece maio e outubro. O Global Big Day é muito legal.

João Agapito (21:03)
Que

Lívia Rebehy (21:03)
Então tem vários tipos de observadores de aves. Tem aquele observador de aves que é obcecado fazer muitas espécies e quanto mais, mais, mais, está sempre correndo.

buscar novas espécies para ficar no ranking, existe esse. Nem sempre esse observador gosta muito de fotografar ou não liga muito, assim, tanto para fotografia, mas pela observação. Então, existe esse tipo de observador.

Eu, meu tipo de eu não fico obcecada com número de espécies. Quando eu saio para passarinhar, eu gosto de fazer na calma. Eu às vezes gosto de ficar ali esperando tempão, porque eu gosto de fazer a foto boa. Então eu sou uma observadora, mas eu também sou fotógrafa.

Eu gosto dos detalhes. Eu não gosto de uma foto sem foco, falar, não, já fiz, parti pra outra. E às vezes você pega guia que ele quer mostrar a serviço achando que você quer fazer número. Eu falo, calma, não quero número. Eu quero fotografar na calma.

Eu quero observar na calma, eu prefiro hoje observar cinco espécies e ver essas espécies com detalhe do que fazer vinte correntes. Então assim, eu não me preocupo com o número de espécies, sabe? Eu prefiro ir na calma curtindo a passarinhada. Porque...

João Agapito (22:40)
Sim. E isso dá para perceber no

seu próprio banco de imagens, que eu vi pelo Instagram, que são só imagens incríveis. Parabéns pelo trabalho.

Lívia Rebehy (22:52)
Obrigada, João. Mas realmente, eu sou muito chata. É uma coisa que eu trago no meu DNA,

amigo nosso que foi com a gente para o Equador, acho que ele deve ter achado que eu era meio doida, porque eu falei assim, gente, você já não fez essa espécie? Ele não entendia. Eu falei já, mas a foto não ficou boa, eu estou repetindo. E ele queria mais número de espécies, então acho que eu até atrapalhei pouco a viagem dele, porque ele não rendia tanto.

João Agapito (22:59)
Hum.

Sim, Olivia, aí você estava contando

então da passarinhada é só para a gente entender pouco mais sobre o processo. Então conta para gente como é que a sua preparação no dia de passarinhada você acorda muito cedo para pegar os pássaros.

Lívia Rebehy (23:36)
Muito

cedo, 90 % das vezes você tem que acordar de madrugada. Quando eu fui para Manaus torno, tinha dia que ela nos pegava no hotel 3h30 da manhã. Normalmente era 4h30, mas já pegou 3h30, porque aí a gente ia para cidadezinhas perto de Manaus, de 100 km. Então é sempre bom você chegar amanhecendo o dia.

João Agapito (24:04)
E isso todos os lugares do Brasil, ou depende da região.

Lívia Rebehy (24:08)
independentemente da região, as aves estarão mais ativas Por exemplo, no Acre, que é muito, muito, muito quente. 7h30 da manhã, 8 horas, o sol já começava a ficar tão quente, mas tão quente que os bichinhos somem. Eles não aguentam ficar dando sopa. Não adianta. Então...

agora no sul. Tava muito quente. Muito quente. O esquema era o seguinte, saía 10 e meio, 11 horas, ia pro hotel descansar.

almoçávamos, voltávamos pro hotel, descansávamos e saímos três horas da tarde pra fazer o fim da tarde. Não adianta. Esse intervalo aí, quando tá muito quente, de dez e meia até três e meia, você perde seu

João Agapito (25:00)
Então conta pra gente também, por favor, pouco mais sobre como que são as suas técnicas pra tirar essas fotos maravilhosas, pra achar esses pássaros.

Lívia Rebehy (25:09)
Pois é, aí é o seguinte, o que acontece? O guia ele... nem sempre, tá? Nem sempre. Mas, às vezes, se ele escuta... Tem a espécie tal aqui, eu ouvi. Às vezes ele dá uma chamadinha no playback, com o som daquela ave, e ela vem até a gente, para você fotografar, sabe?

João Agapito (25:33)
Então sempre tem

playback.

Lívia Rebehy (25:35)
Nem sempre tem lugar que você não pode usar playback. caso da rolinha do planalto, que é uma ave super ameaçada de ameaçadíssima, você não pode nem pensar usar playback lá, porque pode, vezes, estar coninho, local que você sabe que tem ave coninho, você não pode também usar o playback. Às vezes, espanta.

tira até do ninho a ave. E aí, normalmente, a gente leva isso, caixa de estoque de bateria, porque às você fica o dia todo no campo, estoque de cartão de memória, as lentes, que normalmente para observação de aves é uma teleobjetiva.

eu sempre uso o microfone na câmera Tripé, né? Especialmente se você quer fazer vídeo sem tripé, é muito difícil.

João Agapito (26:33)
E muita

paciência, né? Tem que levar muita paciência na mochila, né?

Lívia Rebehy (26:35)
Muita paciência.

é o principal. 99%, João, do equipamento é paciência. Mas todo observador já tem muita paciência. Você não vê o tempo passar,

João Agapito (26:50)
uma coisa que me chamou a atenção, então você disse que por exemplo, essas espécies ameaçadas de extinção não pode usar playback, porque pode estressá-las, etc. Mas aí a minha pergunta é, existe algum código de ética para observação de aves, no sentido de, além do playback, lá, uma cor de camiseta que você não pode usar?

Lívia Rebehy (26:59)
Sim!

Sim!

Normalmente, quando sai pra observar, a gente usa verde, blusa camuflada.

Esse código de ética não existe. O código de ética é saber usar o playback. Isso é muito Porque, às vezes, é época de casalamento, se você toca o playback, macho pode achar que tem outro macho ali no território dele, pode até sair, ser afugentado. Entendeu?

Ninho,

não pode de jeito nenhum tocar playback onde tem ninho. O playback, assim, você tem que usar com muita parcimônia. Muita parcimônia mesmo. E os guias sabem disso, né? Não pode

João Agapito (27:56)
Não Livy, que bacana você compartilhar isso, porque na minha cabeça não passava assim o desequilíbrio que você pode causar pelo simples fato de usar playback né

João Agapito (28:06)
E assim,

por exemplo, nos safaris da África tem o Big Five, se eu não me engano, sei lá, acho que é guepardo, rinoceronte, leão, que são aquelas espécies que são mais difíceis de achar.

Então se você faz safari e uma daquelas cinco seu safari já deu bom. Então tem big five das aves?

Lívia Rebehy (28:30)
É claro que tem aquelas aves muito especiais, que são às vezes muito difíceis de ser encontradas.

Agora, que tem, que eu não te falei, é uma coisa que chama Lifer. O que é o Lifer? Você observar aquela espécie pela primeira vez. Então, eu saio pra passarinhar, igual, por exemplo, no sul do Brasil. Eu nunca tinha ido ao sul do Brasil. Então, quase todas as espécies que eu observei lá, pra mim, foram Lifers. Eu nunca tinha observado aquela por exemplo, uma pessoa que já tá com mil e...

800 ela fazer ela tem que ir lá para o Acre, ela tem que pegar barco, ela tem que quase que dormir lá na mata, conseguir achar Lifer.

é muito difícil depois de certo número de fazer né? Faz, mas outro. no meu caso, que eu ainda tenho poucas espécies, eu... Pois é, no Ikeaves eu tô berando as seiscentas. Só que ele tá... Eu tomo... É...

João Agapito (29:31)
Quantas espécies você tem?

que é isso é muita espécie se juntar assim obviamente não sou observador de ar mas

é se juntar todas as espécies que eu já vi contando sei lá pombo deve dar umas 15 então assim

Lívia Rebehy (29:48)
Mas é

isso. Mas só que o meu Ikeaves está desatualizado, porque no início eu não postava no Ikeaves, então eu tenho que depois atualizar direitinho, eu já devo ter umas 650.

espécie, mas não é tanto porque pensar que a gente tem mais de 1900 ainda falta muita espécie, mas assim, aí é bom também que fica fácil eu achar o lifer, qualquer saidinho tem meu lifer.

João Agapito (30:22)
Não,

que bacana! E assim, dentre essas mais de 600, 700 espécies aí que você já observou, qual foi a mais rara?

Lívia Rebehy (30:30)
rolinha do planalto. Por isso que eu te falei, ela está muito ameaçada de extinção. Deve ter 15 exemplares somente no Brasil.

João Agapito (30:39)
Que isso? Tem 15

espécies? E é uma espécie endêmica também? Nossa! Então assim, tem 15 na natureza, ou seja, e você conseguiu observar uma delas.

Lívia Rebehy (30:42)
Só tem lá Botumirim!

na natureza.

na reserva, lá na reserva. A gente ficou três dias. Eu já tava desanimada, falei, nós não sair daqui sem ver. Na hora de ir embora com as malas no carro, a gente voltou lá e a gente viu, cedinho. Foi muito emocionante, muito. Até chorei. Foi muito emocionante, é. Uma gracinha. Ela tem o olhinho azul. Depois você olha no meu Instagram, ela tá lá.

João Agapito (31:07)
Que isso, que incrível!

Com

toda certeza. E ela foi a sua favorita até então?

Lívia Rebehy (31:21)
Todas são, João. Todas são favoritas. Eu gosto de todas espécies engraçadas. Não tem assim, sabe, uma espécie... Eu gosto de todas. Foi muito emocionante pela situação que ela se encontra, né?

Total risco de ser extinta. Então foi a que mais me emocionou, realmente. Mas todas as espécies que eu observe, fotografo, eu me apaixono.

João Agapito (31:48)
Então, além dessa espécie que você passou três dias procurando intensamente e não conseguiu achar, teve alguma outra que você também teve uma busca intensa, que você colocou muito esforço e não conseguiu encontrá-la?

Lívia Rebehy (32:02)
Não.

João Agapito (32:03)
Então você é bastante efetiva nas suas buscas, eu imagino, né?

Lívia Rebehy (32:03)
Não.

É, mas é isso que eu te falei, Eu ainda não cheguei naquele ponto.

de ter muitas espécies e ir atrás daquelas que faltam, entendeu? Sempre que a gente sai com guia, seja no interior de São Paulo, ou para outros estados, tipo Amazônia, a gente vai encontrando, e normalmente são espécies que a gente não tem, então todas são muito interessantes. Eu nunca cheguei para o Gui e falei, eu quero esta. Porque são tantas que eu não tenho, então nem justifica.

Eu quero essa, que é aquela de achar. Entendeu? Pra que eu vou ficar suando, sofrendo?

se eu não preciso, tem tantas que eu quero ver antes das Então, vou curtindo, observando essas que não são tão difíceis. Mas, quando eu fui para Manaus, torno, com uma guia maravilhosa, por sinal, a Vanilce, a gente viu muitas espécies difíceis, porque ela é muito boa guia, muito.

João Agapito (32:52)
Sim

Lívia Rebehy (33:13)
Foi uma passareada muito produtiva, muito boa.

João Agapito (33:17)
Mas

então aí nessa passarinhada o Gui, obviamente, toma frente e é ele que é o responsável por escutar ou você também tem trabalho...

Lívia Rebehy (33:25)
Sim, ele,

esse dia que eu estava com a Vanilce, ela fazia tudo, E ela, assim, é que ela guia muito experiente, já há anos que ela guia lá. Assim, ela no carro dirigindo de longe, ela já parava, já pegava o binóculo lá na frente, ela já tinha avistado...

gavião ou qualquer outro pássaro e aí ela parava o carro, chamava ou às vezes nem chamava porque o bicho já estava lá, ela já tinha listado. Pressionante. Como a experiência de bom guia faz toda a diferença na passarinhada.

João Agapito (34:06)
E tem

alguns que até conseguem fazer o som dos pássaros com a

Lívia Rebehy (34:10)
Tem, tem, tem, mas hoje já tá ali no celular o som, né? Mas tem sim!

João Agapito (34:17)
É

que eu pensei que talvez se você faz subícuo, seja som mais natural, seja pouco menos prejudicial para as aves, sei, tava pensando aqui.

Lívia Rebehy (34:20)
Dei?

Mas isso dá na mesma, assim. Mas tem guia que chama assim.

João Agapito (34:30)
E dentre todas essas passarinhas que você já fez até então, alguma história inusitada, interessante que aconteceu durante alguma delas, seja com pessoas, seja com outros bichos?

Lívia Rebehy (34:45)
nada assim, mais diferente, vamos dizer que aconteceu, nada demais, porque no Acre a gente fica Rio Branco e a gente pega o carro cedinho e a gente vai para lugar que chama Ramal do Noca. Você pega uma estrada muito ruim, muito ruim mesmo.

e esburacada de terra e você chega nesse ramal do E lá não tem nada, nada, nada, nada. E a gente, inclusive, porque você passa o dia, você volta no final do dia. E a gente almoçava na casa de uma senhora lá, que fornecia o almoço pra gente. E dia a gasolina acabou.

o guia falou, a gasolina do carro acabou. Acabou mesmo, não ficou na reserva não, acabou. Aí tivemos que rodar lá nas casas do pessoal pra ver se alguém podia arrumar pouco de gasolina pra nós. Mas só isso, assim, nada demais, conseguimos a gasolina pra voltar e... Pensa num lugar quente. Coisa louca. Coisa louca.

João Agapito (35:52)
Eu imagino. E olha que eu sou de Goiânia, viu? Goiânia

é Nossa Senhora. Complicado.

Lívia Rebehy (35:56)
Nossa,

é tão quente, João. Os passarinhos ficam com o biquinho por causa do calor. Você vê os bichinhos com o biquinho aberto, você morre de pena. Muito quente. A gente chegava na casa dessa senhora...

Ela chegava lá tinha assim, sabe aquelas coisas térmicas, nem sei, 20 litros, 30 litros, eu acho que era tangue, suco tangue. Eu falo que eu acho que eu chegava lá desidratada, que eu tomava acho que litro daquele suco tangue. Gente, era muito calor,

João Agapito (36:14)
Sim.

gente mencionou aqui sobre o WikiAves, que é o maior portal de Aves do Brasil.

Lívia Rebehy (36:31)
Wikiaves

é do Brasil. Só aves brasileiras.

João Agapito (36:35)
Tá,

e aí é lá que é o grande canal onde os observadores de aves do Brasil se encontram. Ou tem alguns outros canais?

Lívia Rebehy (36:44)
Lá a gente faz os registros de tudo que você observa, lá também você coloca o local você observou, tem o local para você colocar o nome do guia e você tem também o e-bird, o e-bird é...

observadores do mundo todo, né? Você coloca lá também as suas observações, o local, você tem a localização no aplicativo, são esses dois que a gente usa.

Tem uma diferença entre o eBird e o Wikiaves. O eBird, você pode ouvir, exemplo, ouvir tico-tico, mas não estou vendo onde ele está. Você pode colocar na sua lista o que você ouve, tá? Wikiaves é só

João Agapito (37:32)
Entendi? assim, até agora pelo que eu entendi, a observação de aves é totalmente hobby para você, E você a aviz numbra assim no futuro, algum momento, ganhar dinheiro com isso, fazer disso uma profissão?

Lívia Rebehy (37:39)
totalmente.

Não, jeito

É apenas hobby

João Agapito (37:49)
tem gente que vive, assim, para além dos guias, né, que fazem as passarinharas, tem...

Lívia Rebehy (37:54)
Eu acho que hoje o turismo, vamos dizer assim, é turismo de observação de aves, porque acaba que é turismo que você recebe pessoas, por exemplo, tem as pousadas maravilhosas no estado de São Paulo só para observação, a finalidade é a observação de aves. Então recebe tanto o observador estrangeiro como do Brasil. Então...

movimenta-se muito dinheiro no Brasil pela observação de Muito mesmo. Eu não sei, assim, te falar nada de números, mas sabe-se que hoje a observação de aves gera muito dinheiro. Então, eu acho que hoje os guias estão crescimento enorme da observação de aves. Hoje os guias têm muito trabalho.

João Agapito (38:35)
Sim, eu imagino.

Lívia Rebehy (38:44)
as pousadas, muitas pousadas função da observação de aves. né?

João Agapito (38:50)
E

eu estava pensando aqui também, bom, você disse que tem o portal as pessoas voluntariamente coletam dados de aves e esses dados são usados para ciência de infinitas formas. tem alguma outra maneira, alguma outra forma com a observação de aves

Lívia Rebehy (39:04)
Sim.

João Agapito (39:11)
tem contribuído para a conservação do meio ambiente, para a conservação das próprias aves?

Lívia Rebehy (39:16)
Sim, o que acontece é que do momento que você começa a observar as aves, você passa a ser guardião do meio ambiente. a ave começa a correr o risco de extinção, já é indicativo de que alguma coisa está errada. Essa ave está perdendo habitat. Ou essa ave está sendo caçada.

está sendo traficada, isso acontece muito com aquelas espécies que cantam, que vocalizam muito. Várias delas são alvo de gaioleiros. Então, quando você começa a observar, quando você começa a apontar no Ikiáves, no eBird, que você viu, ou que está diminuindo significativamente,

aquela espécie, naquele local que tinha bastante e agora não tem, liga o sinal de alerta. Uai, o que que tá acontecendo?

que está acontecendo com o curió? Que tinha não sei quantos naquele lugar e agora ninguém mais consegue nem ver, nem ouvir o curió naquele local. Está sendo traficado ou está perdendo o habitat, porque está sendo desmatado, está sendo... Entendeu? Então, eu digo seguinte, que nós, observadores de aves, somos os guardiões do meio ambiente. Você começa a ficar antenado.

que está acontecendo. Então, acho que isso é a principal forma de ajudar o meio ambiente.

João Agapito (41:00)
Total e assim a propósito muito obrigado aí pelo trabalho ostensivo que eu imagino que por exemplo no falando aqui sobre aves né se não fosse por vocês imagina o Brasil Brasil é gigantesco tamanho do continente imagina a iniciativa pública ou até mesmo privada né ter que tipo coxiar isso pessoas para sair aí e monitorar então assim se não fosse pelo trabalho de vocês imagino que isso é muito difícil fazer a essa né

Lívia Rebehy (41:24)
Sim!

E

hoje tem, o Vassávi Brasil, tem vários projetos de conservação daquelas espécies que estão ameaçadas. Várias, a rolinha do Planal tem uma e tem inúmeras

tem as mudanças climáticas também que afetam.

E uma vez que as aves diminuem naquele bioma, o que acontece? As aves são dispersoras de sementes, Então isso também prejudica muito o meio ambiente.

João Agapito (41:57)
aves são as jardineiras do planeta Terra, não são?

Lívia Rebehy (41:59)
Sim,

João Agapito (42:01)
bacana. E você já comentou então aqui sobre observação de aves movimenta a economia no Brasil, então para além dos guias, as pousadas, também os turistas estrangeiros que vêm. Então assim, como que você vê o futuro dessa atividade no Brasil?

Lívia Rebehy (42:16)
crescimento é uma coisa que tem potencial para crescer mesmo. Eu estive no Equador, como eu te falei, fevereiro, e eu fiquei impressionada com a estrutura do Equador.

para observação de aves, para o birdwatching. É muito grande, muito organizados, você está na estrada. Qualquer lugar que você para para almoçar, por mais simples que seja o local, eles têm uma estrutura, decks maravilhosos, onde você observa beijar flores, espécies maravilhosas, é uma coisa assim, do outro mundo.

que o Brasil já está na frente, eu acho que deve ter começado antes, o Brasil, acho que está chegando lá. Acho que já estamos melhorando muito termos de estrutura, mas ainda tem muito que

João Agapito (43:01)
por que você acha que o Equador já está na frente do Brasil?

Lívia Rebehy (43:19)
só, o tamanho do Brasil, a diversidade de biomas que a gente tem aqui, nem compara, né, com o Equador. Então, assim, gente, Não, não fui. Isso aí vai ficar para outra viagem.

João Agapito (43:28)
E você chegou aí pra Galápagos?

É, porque

Galápagos, apesar de ser Equador, já é tipo... É muito longe, é muito caro, não é tão óbvio,

Lívia Rebehy (43:40)
ia caber nessa viagem, não, melhor curtir agora os passarinhos lá e depois de uma outra vez a gente conhece.

João Agapito (43:51)
Bacana. E aí você comentou então

que a observação de aves para você é como se fosse uma atividade terapêutica, né? E aí eu queria entender assim, o que mais te motiva a continuar observando aves?

Lívia Rebehy (43:57)
Uhum.

É isso, é uma atividade relaxante, prazerosa.

aquilo que eu te falei, quando eu estou no mato, observando as aves, eu esvazio a minha cabeça, não fico pensando mais nada, eu me concentro ali e você não vê a hora passando, sabe? É prazeroso, você faz muitas amizades, você troca muita ideia, é muito gostoso, muito mesmo, assim, eu acho que eu não paro mais não.

não precisa viajar, entendeu? Aqui perto de Belo Horizonte tem tanto lugar que você sai assim, cinco quilômetros para lado, cinco quilômetros para o outro, você chega numa serra maravilhosa.

Você vê mil espécies lindas, maravilhosas. Tem parques aqui dentro de Belo Horizonte, dois quilômetros da minha casa. Você fica com segurança ali, sem problema nenhum, Isso que eu falo, é uma atividade democrática.

não precisa gastar dinheiro, não tem idade. Hoje tem crianças, muitas crianças nessa atividade de observação de árvores, não idosos, muitos idosos. Então, quer dizer, se o idoso não tem condições de subir uma serra, pico, ele pode ir para parque, ficar

sentado, tem parque aqui que você assenta, tem uma fonte maravilhosa que ali vão nem sei, tem amigo meu que já contou quantas espécies que ele fez nessa fonte, que são muitas,

Então, assim, é muito fácil. Só querer passarinho é que ser passarinho.

João Agapito (45:47)
Que bacana, que mensagem bacana. E

aí, para finalizar, Livia, você já viajou para vários lugares, já conseguiu observar várias espécies, mas tem ainda algum sonho dentro da observação de pássaros que você gostaria de realizar?

Lívia Rebehy (46:00)
Olha, eu falo assim, eu vou precisar de muitas encarnações, muitas, pra eu conseguir realizar todos os meus sonhos de Birdwatch. Porque, aqui Minas Gerais mesmo, tem inúmeros locais que eu ainda não fui e que eu gostaria de ir, né? Eu gosto muito das águas da Amazônia, sabe? Eu tenho vontade de voltar na Amazônia, quero conhecer o Pantanal.

Mas assim, é o que eu te falei, João, sem demagogia. Qualquer passarinhada me diverte.

João Agapito (46:36)
que bacana. Não sei se era o seu intuito, mas você me deixou muito motivado a pelo menos começar a tentar observar umas aves, fazer uma anotação.

Lívia Rebehy (46:45)
Vem aqui pra Belo

João Agapito (46:46)
Então espero que a gente, com esse episódio, consiga encorajar muitas pessoas a começar a observar a abyss também.

João Agapito (46:56)
E se você ficou aqui até o final, imagino que você tenha se você quiser apoiar o podcast,

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