Rádio Grilo

11. Cristiane Prates: Pioneirismo como Mulher Guia de Observação de Aves na Chapada Diamantina

João Agapito Episode 11

A Cristine Prates é bióloga, pioneira como guia de observação de aves na Chapada Diamantina e vencedora de uma luta contra o câncer.

Apaixonada por aves, ela conquistou alguns concursos de fotografia e já teve várias fotos republicadas por veículos relevantes como BBC Brasil e G1. Nesse bate-papo, ela fala sobre como é ser uma das poucas mulheres guias de observação de aves no Nordeste, os desafios de atuar em um campo predominantemente masculino e a falta de regulamentação da atividade no Brasil. Além disso, ela compartilha sua história de superação do câncer, reforçando a importância de valorizar a vida e a natureza.

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João Agapito (main) (01:27) Então, e a propósito, você não é originalmente da Chapada, né? Você é de Brasília, certo?

Cristine Prates (01:32) Isso, nasci Brasília, eu moro aqui... Vai fazer 6 anos esse ano.

João Agapito (main) (01:36) jamais já se considera baiana

Cristine Prates (01:38) Nossa, uma honra, viu? Ser baiana. Que para mim é melhor lugar do Brasil, é aqui, cara. A Bahia é fantástica. Eu estou quase 20 anos no Nordeste aí, quase 6 na eu sou apaixonada pela Bahia.

João Agapito (main) (01:51) E como é que aconteceu pra você assim, mudança sai de Brasília e pra Ou ir pro Nordeste primeiro, né?

Cristine Prates (01:57) Então, eu me formei primeira ingestão ambiental, não consegui passar biologia na E assim, eu não conseguia trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Brasil é uma cidade muito cara, E aí eu decidi tentar vestibular numa cidade o curso de vida era mais barato, onde vestibular era mais tranquilo, eu me mudei pra uma pessoa e eu passei biologia na UFBB. Aí eu me mudei pra poder estudar, né? Pra morar perto da praia, pra morar numa cidade mais tranquila, mais barata.

E aí no Nordeste E aí fui me mudando por causa de questões de Morei fortaleza, morei petrolina, e depois vim pra cá.

João Agapito (main) (02:35) Entendi. Então, você se formou como bióloga e depois se especializou ornitologia, correto?

Cristine Prates (02:42) Isso, dentro da biologia não existe uma pós-graduação para o grupo. Normalmente você trabalha dentro de laboratórios ou, por exemplo, no meu caso eu fui para o ICMB, eu trabalhei no IBAMA também fazendo E aí você entra no laboratório, faz uma monografia normalmente relacionada com alguma área. E aí eu fui para área de ornitologia, que é a das aves.

E aí dentro de trabalhos também comecei fazer consultoria ambiental, alguns outros trabalhos todos relacionados com aves. E aí gente acaba se especializando assim, dentro da prática, dentro da uma especialização ornitologia. Aqui no Brasil não existe.

João Agapito (main) (03:18) Entende? E tem algum motivo assim, principal, que te levou a mais para a orientação de ornitologia, de aves?

Cristine Prates (03:25) Então, desde criança, o meu avô era criador de passarinho gaiola, só que quando eu nasci ele já não tinha mais os bichos gaiola, ele tinha sítio no interior de Goiás. E eu ia passar muitos finais semana com ele lá e ele ficava me mostrando todos os passarinhos, mostrando o João de Barro, a casinha que o João de Barro fazia, lá tinha uma lagoa que tinha vários bichos também, mergulhão, tinha arara, as araras faziam ninho nos buriti, então ele sempre ficou me mostrando essas aves.

E eu já era uma observadora de aves desde criança sem nem saber que isso existia. Mas eu sempre gostei de bicho. Eu fui escoteira, acampava, esse sítio que eu convivi com meu avô durante muitos anos. Então, eu me apaixonei pela natureza si e eu queria fazer biologia, não necessariamente aves. Eu entrei natureza de preferência a bicho, mas fui aberta. E dentro da universidade, a gente nem sempre...

consegue estudar o que quer, o que a gente escolhe. A gente precisa esperar ter vaga, ter professor que aceite ser E aí, no meu caso, eu tive convite de colega que era professor, só que ele trabalhava com a parte de herpétuo, é cobra, lagarto, sapo, né? E ele ia dar uma disciplina para o pessoal da pós, ecologia, que ia ter a mostragem de todos os grupos de vertebrados no campo. E ele falou, vai lá, precisa dar uma olhada, ver o que você gosta.

E aí eu lembro que o primeiro que eu fui acompanhar foi o de Ávies. E aí eu falei assim, não quero acompanhar mais nenhum. É isso aqui que eu vou fazer na minha vida. É isso aqui que eu gosto. E aí já conversei com o professor no primeiro semestre na faculdade, ele já me aceitou e eu entrei nas Ávies desde o primeiro semestre. Até então.

sempre trabalhei com o Ávios desde o comecinho.

João Agapito (main) (05:03) até mesmo nessas experiências profissionais que você comentou, então no nesses outros órgãos, tudo sempre foi relacionado a Aves.

Cristine Prates (05:10) Sempre relacionada a Trabalhando com pesquisa, dentro pesquisa e conservação das aves. E aí eu nem sabia que existia essa coisa de observação de aves. Eu não sabia que as pessoas ganhavam dinheiro com isso, que isso era uma E eu ia às vezes para campo com o pessoal do ECMBIL, e nesse campo eles convidavam colaboradores para trabalhar numa expedição.

E aí nessa expedição eu comecei a conhecer pessoas que eram guias de observação de aves. Aí que eu fui saber que isso existia, que isso era uma atividade, que as pessoas trabalhavam por isso, que as pessoas se reuniam, viajavam, faziam todas as coisas dentro dessa atividade, né? Antes eu nem sabia, nem conhecia.

João Agapito (main) (05:49) Que legal. determinado momento, você decidiu sair carreira que você estava trilhando trabalhando para empresas e decidiu virar uma guia de observação de aves, foi mais ou menos assim?

Cristine Prates (06:02) Então, biólogo, para conseguir pagar as contas, tem que fazer milhões de coisas. Então, eu ainda trabalho com pesquisa e conservação, num projeto de marara que é trabalho ainda com consultoria ambiental, empreendimentos energéticos, eólica, solar, fazendo monitoramento das aves nesses empreendimentos, impacto do empreendimento nas E 2020 eu abri a Agência de Turismo de Obsessão de Fauna aqui na Chapada.

turismo de observação tanto de aves quanto de Mais de aves, dos dois. aí eu trabalho atuando nesses três pilares. Pesquisa, conservação, monitoramento de aves e agência. Eu continuo nesses três ramos.

João Agapito (main) (06:42) Entendi que bacana, você diria que entre esses três, a observação de aves seria mais ou menos o seu meio que principal, sim, seu carro-chefe, entre aspas?

Cristine Prates (06:50) O que paga mais as contas são as consultorias, mas o que eu gostaria de verdade eu queria viver só do turismo, A conservação também é muito legal, mas ela é difícil de ter trabalhos que paguem, que paguem bem, áreas que você vê a natureza conservada, são atividades com pouco impacto ambiental. Nas áreas de consultoria é pouco triste, porque às você vai lá e

o campo antes da obra existir, e você vê vários bichos, vê a mata, e aí você continua monitorando ali depois que a obra está acontecendo, que o parque é óleo, por exemplo, está pronto, ou solar, e você vê uma queda dos bichos, você vê o impacto, e às vezes, o coraçãozinho da bióloga fica triste, Fora várias outras coisas que eu não vou entrar questão aqui da consultoria ambiental.

Mas eu queria muito dia conseguir viver só do turismo.

João Agapito (main) (07:39) Entende? assim, achar esse balanço entre o que paga as contas e o que te traz muita satisfação. Acho que é desafio para todo mundo, Na verdade, eu queria te perguntar, então, gente está falando sobre aves. descreveria o trabalho de guia de observação de aves?

Cristine Prates (07:54) Então, a observação de aves tem uma coisa engraçada que as pessoas a gente compara muito como se fosse colecionador de Porque a gente não observa qualquer passarinho. No início até começa, todo passarinho a gente Mas aí começa uma coisa meio que de eu quero observar todas as aves que existem aqui perto da minha casa. Aí depois que você já viu todas, você quer a do seu bairro. Depois você quer a da sua cidade, do seu estado. Porque cada lugar que você vai tem aves diferentes.

Então você quer colecionar aquele seu... figurinha, né? De todos os lugares, ter todas as aves que você conseguir ver ou fotografar. Aqui no Brasil os observadores gostam muito de fotografar, mas a galera de fora, assim, Europa, Estados Unidos, eles se contentam, às vezes, só site com ranking das espécies observadas. É uma coisa até bem competitiva, assim. E... daí o guia, ele vai fazer esse papel de ter o conhecimento de onde essas aves vão estar, né?

Uma coisa importante de se falar é que quando você entra numa mata, 90 % das espécies que vão estar ali você vai identificar pelo ouvido, pelo canto, e não simplesmente ver o tem que ter conhecimento muito apurado do som, do canto das aves. Não é uma coisa tão simples, leva tempo para você aprender, conhecer. Então às vezes a pessoa não tem essa aptidão, então ela contrata guia para poder identificar onde estão essas aves.

E a gente, como guia, vai mapear onde estão todas essas de preferência locais que sejam de fácil acesso, porque normalmente as pessoas carregam equipamentos que são bem pesados. A maioria do público, pelo menos que eu guio, é 60 mais, então às vezes tem limitações lugares muito difíceis, então é isso. O papel do guia é mapear onde vão estar essas espécies para conseguir, no menor tempo, mostrar essas aves para os clientes.

É mais ou menos isso que o guia de observação de aves faz. E vai falar pouco da história dos bichos, falar sobre ecologia, algumas coisas interessantes às vezes, o observador não sabe, não tem esse conhecimento.

João Agapito (main) (09:54) Entendi. Então, entrando mais pouco no ponto da identificação das aves. acho que é técnico, deve ser muito difícil, mas eu queria você acha que a sua formação como bióloga te

Porque imagino que boa parte dos observadores de aves não são biólogos, Então, de que forma você acha que acadêmico que você tem, te alavanca na sua profissão?

Cristine Prates (10:20) Por exemplo, você chega num lugar, por exemplo aqui na Chapada, tem várias diferentes, vários biomas, a gente tem caatinga, tem cerrado, tem mata atlântica, e dentro de cada desses biomas vão ter fisionomias diferentes. E dentro dessas fisionomias vão ter espécies diferentes. Então você tem que entender quais espécies podem estar dentro de cada desses lugares poder encontrar a ave que o cliente

e para poder encontrar o ponto. Então, por exemplo, eu estou aqui na chapada, às vezes não estou trabalhando, mas eu estou fazendo uma trilha, eu estou andando, e eu olho o ambiente e falo, poxa, esse ambiente aqui legal, pode espécies tais, tais, tais. Então, vou voltar aqui para ver o que tem para poder ter lugar mapeado para os clientes. Você entender o som dos bichos é uma coisa que é muito fácil.

E assim, desde que eu estou na faculdade, eu trabalho com isso, porque para fazer levantamento no monitoramento de aves, eu estou ali estudando os bichos, que é a forma que eu vou identificar Então, para espécies que estão cantando, para identificar os locais onde elas habitam, que é a parte da ecologia dos para identificar ninho, tem muita gente que gosta de fotografar os bichos quando estão no ninho, então você saber o período que o quanto tempo que o ovo vai ficar ali, quanto tempo o filhote fica ali.

Então são conhecimentos que a gente aprende dentro da universidade que uma o turismo de observação de aves. Mas o guia de observação de aves não necessariamente precisa ser Você ser amante das estudar elas e tal, não necessariamente precisa ser biólogo. guias que não são biólogas e são ótimos guias. dedicação da pessoa para isso.

João Agapito (main) (11:54) seu trabalho como guia, quais são os maiores desafios e as recompensas?

Cristine Prates (12:00) O desafio maior, acho, é você está ali tratando de natureza, né? Então, não tem como você garantir que você vai ver as espécies. Às você vende ali na sua agência vídeos lindos, fotos maravilhosas, mas você está ali todo dia com o E às vezes a pessoa chega, cai toroco, e mal consegue sair do carro. Ou está muito quente, os bichos não se mexem, simplesmente não vezes bicho específico que a pessoa quer ver.

não vai estar ali ou não vai dar o mole que pessoa vai conseguir fotografar. é como uma trilha de cachoeira que o destino final você vai ter. A cachoeira, independente de se estar chovendo, se estar sol, você vai chegar lá. Mas as aves, não. Às você vai e simplesmente não aparecem. outro desafio que eu também acho que do guia é você conseguir ler o perfil do observador, porque existem vários tipos de observadores.

Tem os que gostam de fotografar várias espécies, tem os que gostam de fotografar uma espécie só, mas que a foto seja muito às vezes, você guia grupo muito você tem que as pessoas ali para atender o gosto de todo mundo. Mas, com essa parte da natureza, não ser exato, variável. Então, os dois desafios mais E também a questão de...

Fazer meio do mato tem já todo risco de animais peçoentos, de uma torção, de machucar. Então você tem que estar sempre cuidando pessoas que estão ali que você está guiando. E Você realiza sonhos, né? Muita gente que eu já guiei, às vezes chora de ver passarinho porque estava esperando muito ver aquele bicho, se emociona.

E é uma sensação muito gostosa, né? Você ver a pessoa vibrando, feliz ali de realizando sonho mesmo. a gente cria amigos, São pessoas que têm muito comum o gosto Pelas aves, porque a gente se apaixona. Igual na escalada que o pessoal brinca, né? Que o muscatinho pica, na observação de aves é igual. E aí você fica Fanático, né? Só fala sobre passarinho, só viaja para

Normalmente, gente vira amigo dos clientes porque são pessoas que têm muito comum.

João Agapito (main) (14:00) que legal Cris, onde eu pude ser a única mulher guia de observação de aves da Bahia da Chapada Diamantina que sa Nordeste assim me corrigi se eu tiver errado se eu queria te perguntar como é para você ocupar esse papel assim de representatividade

Cristine Prates (14:19) O que eu saiba de guia no Nordeste que trabalha com o trem de turismo, Que trabalha com essa parte de agência de receber observadores de aves de fora do país ou até aqui do Brasil mesmo. Eu acho que eu sou a Cara, sem orgulho nenhum. Porque assim, meu sonho era poder fazer uma expedição com guias ocupando, por exemplo, o Nordeste inteiro, que a gente conseguisse se conectar.

para fazer uma expedição guiada só por mulheres até mesmo uma guiada só para mulheres, com guias mulheres. Tem uma outra amiga minha que é guia de observação de atos, que a conversa muito sobre isso, que é mas andando com passinhos bem pequenininhos, sabe? me sinto, por lado, muito feliz de estar aqui representando, dizer assim, ó...

É possível, dá pra fazer. Eu tô aqui com agência há quatro anos, cada ano tá crescendo mais, tá Tô viva, apesar dos pesares, das dificuldades. E que é super possível. super possível. Mas eu acho tem chances de melhorar. Eu faço parte de coletivo de mulheres observadoras de aves que se chama Ornito Mulheres. de 300 mulheres.

E lá tem esse espaço de gente conversar sobre várias coisas que falar, não, rola, tem essas dificuldades, tem esses problemas, mas a gente a mão uma para a fazer e acontecer. Então, é uma forma de fortalecer isso. Sempre eventos a gente tenta fazer palestras falando sobre essa questão da observação de aves entre mulheres. isso, acho que...

Essa parte de estar ali na frente fazendo me deixa feliz de tentar.

da lugar a outras pessoas, A tá ali representando.

João Agapito (main) (15:58) por que você acha mulheres estão sub-representadas nesse universo da observação de aves no Brasil?

Cristine Prates (16:04) Vários deles, que assim, para você ser às vezes você fica muitos dias fora da sua casa, Nem sempre a gente consegue guiar só pertinho de onde a gente mora, então você tem que viajar, passa dias E normalmente as mulheres estão num papel ainda muito enraizado de cuidar de parente, de mãe, de filho, normalmente ela ainda ocupa esse espaço, Então muitas mulheres não podem se ausentar.

muito de casa por ter cuidado com família, com os a questão da segurança também, porque você vai ter que andar no mato. Muitas vezes eu vou sozinha para o mato, como eu te falei, descobrir se a espécie está lá, se está tendo ninhos, está sendo alguma Sempre que eu vou receber cliente, eu gosto de ir na trilha para ver como estão os bichos.

E não é todo lugar, né? Eu moro lugar a segurança ainda é muito boa, mas muitos lugares não é essa realidade. E aí as mulheres, além de ter o medo roubada, ainda têm o medo estupro. complicado. É uma situação bem Tem a questão de você...

e pro mato com cliente que às vezes você não conhece, você não tem referência nenhuma, então você vai estar sozinha com num lugar isolado. Isso também é uma questão é difícil de lidar e que você tem que ter uma coragem de Tem a questão de assédio moral, assédio sexual. O machismo muito enraizado Eu até lembro assim da minha infância, quando eu ia para o sítio com meu avô. Eu tenho dois irmãos homens.

E eu lembro que eles iam para o mato assim, soltos, tinham os filhos do caseiro e eles estavam sempre contato com o E eu não podia, porque minha avó dizia, não, você não vai porque você vai se machucar, porque você vai se sujar, você não pode andar com o menino. Então, assim, as mulheres já crescem, pelo menos da minha aquela coisa de que você não dá conta, andar no mato não é para você, que é perigoso, que você vai se machucar, que você não vai dar conta. Então, você tem que...

driblar todas essas coisas que foram enraizadas você desde criança para poder estar ali, num papel é difícil, que não é comum, que você não vê muitas pessoas. Então acho que isso traz uma barreira também.

João Agapito (main) (18:14) Sim, e para além dessas questões estruturais, para além das soluções, para essas questões estruturais que você comentou, no sentido de constituição familiar, de segurança, medida prática que você acha que está dentro das nossas mãos, no sentido de, por exemplo, você faz parte dessa comunidade de mulheres, Então

Para além dessa iniciativa, tem algum outro tipo de iniciativa que você acha que seria eficaz no sentido de inserir mais mulheres para a prática de observação de aves?

Cristine Prates (18:48) Olha, na prática de observadores de aves nós somos até muitas. O que falta mesmo, eu acho, são guias nesse papel de Vem crescendo com essa representatividade, com os grupos. Tem evento São Paulo que acontece só do ano, que chamava Está, que reúne vários observadores de aves.

E no ano passado, pela primeira vez, igual o número de palestrantes homens e mulheres. Então, assim, a gente está caminhando para isso, a gente fica no pé ali coordenador do evento, E vamos botar a mulherada aí atuando, para estar na frente, para estar aumentando, para a se sentir segura, Mas dentro Tem uma parte que é de apresentação só dos guias sobre os seus destinos, né?

Eu acho que tinham quase 30 apresentações e, assim, três mulheres. Bem pequeno ainda, sabe? Então, acho que o que tem que ser feito é isso de mostrar pras meninas, pras mulheres que é super possível estar ali trabalhando. E eu acho que também os observadores como tratarem guias mulheres, dá essa chance das mulheres também estarem atuando, porque...

Além de todas essas questões que eu te falei que são difíceis para as mulheres, eu já tive que escutar umas coisas estranhas. Eu fui guiar rapaz, aí a namorada dele veio junto, que não era observadora de aves, e ela virou e falou assim, eu vim junto só porque você era uma guia mulher e eu não ia deixar ele sozinho com uma mulher.

João Agapito (main) (20:13) Não é fácil.

Cristine Prates (20:14) Então, com certeza cara que é guia não passa por isso quando ele vai guiar uma mulher. coisas do machismo estruturado que vem que complicadas, Difícil, né? Tem que incentivar a contratar mulheres sim, porque elas são profissionais, né? tão boas quanto os homens e é isso, eu acho.

João Agapito (main) (20:33) Com toda certeza. aí, voltando pouco mais aqui para a atividade, eu estava dando uma olhada algumas das reportagens que uma delas você fala sobre a questão da falta de regulamentação dentro da atividade de observação de aves no Brasil. Então, você gostaria de falar pouco mais sobre isso também?

Cristine Prates (20:53) Sim, até hoje não existe, na verdade não existe nenhum curso para você ser guia de observação de aves, não existe regulamentação, a gente tem grupo de guias que está tentando criar uma associação para poder ir atrás disso, porque é Quando você é guia de observação de aves, você precisa ter boas práticas para não ter impacto cima das aves e da natureza, enfim. O ICMBU até tem guia de boas práticas, mas assim.

Você não tem certeza que todo guia utiliza, a gente sabe de histórias horrorosas, a gente usa uma técnica que chama playback, que você usa o canto da ave, você reproduz ele numa caixinha e aí o bicho chega próximo a você porque ele acha que é outro indivíduo e ele vem defender o E assim, esse uso do playback precisa usado com parcimônia, ele não pode ser usado quando o bicho está no ninho.

lugares que recebem muitos observadores de aves, por exemplo, São Paulo, vários grupos dia seguido. Você não pode ficar usando o playback de cada grupo que vai usando muitas vezes, ainda mais espécies ameaçadas. Então precisa ser uma pessoa está ciente disso, vez de estar ajudando a natureza, está prejudicando. O uso de flash aves noturnas.

Conduta quando tem ninho, de não chegar tão perto. A tem histórias assim da galera cortando vários galhos de onde está inserido ninho de beijaflou para poder fazer uma foto que não tampe o bicho. Uma coisa absurda, sabe? Então, acho que essa regulamentação seria muito boa Não sei se zeraria isso, mas pelo menos acho que talvez pudesse E também para os clientes confortáveis para saber onde eles estão, porque assim...

Está indo para lugar muitas vezes longe da sua casa, está indo para o meio do mato, lugares que têm seus perigos e aí está com alguém que está capacitado, que tem curso de primeiros minimamente capacitado para estar ali guiando a pessoa. Então, acho que isso é bem importante de se ter.

João Agapito (main) (22:48) É, regulamentação que a está comentando agora, voltando pouco mais para as questões estruturais, do meu ponto de vista, eu acho que é mais uma questão de bom senso, Que no final das contas é o quê? Educação. Porque, bom, você pode colocar uma regulamentação que beleza, você não pode cortar os galhos que estão ali circundando o ninho, ou você não deve usar o playback até volume

Mas, afinal das contas, vai ter uma pessoa lá no interior da Bahia verificando isso. assim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, né? Isso é complicado.

Cristine Prates (23:17) Eu não vou.

É, é bem Mas se houvesse, por exemplo, curso para você seguir uma associação, onde as pessoas têm reuniões, conversas, que as coisas são discutidas, talvez isso ajudasse pouco, tendo a regulamentação da profissão.

João Agapito (main) (23:40) Entendi, entendi, mas treinamento, eventualmente uma certificação também, sim, faz E voltando para o ponto das matérias, eu também vi você acabou vencendo alguns concursos de fotografia, que você teve algumas fotos publicadas pela Então, teve dessas conquistas que significou mais para você?

Cristine Prates (23:42) É isso.

Cara, meu primeiro prêmio acho que foi o que eu fiquei mais feliz porque eu não esperava de jeito nenhum. Eu ganhei prêmio, foi 2014, nesse evento que eu te falei do Avistar. Na época eles tinham todo ano evento que tinha concurso de fotografia dentro do evento. E aí tinham premiações e tal, tinha prêmio dinheiro. E aí eu mandei minha foto mais assim, desacreditada, porque eu tinha começado a fotografar pouquíssimo tempo.

Não tinha uma técnica muito boa e tal. E eu falei, vou testar, vou tentar. E aí eu ganhei a premiação, meu Deus, desacreditada que tinha rolado, porque eu estava muito no início. Não sabia quase nada de edição, do olhar, da técnica. Mas aí eu consegui o prêmio e fiquei muito feliz. que... chocada que eu tinha ganhado.

Os outros prêmios eu já ganhei mais recente, então eu já tinha uma experiência maior com a técnica, então eu mandei falando assim, tem uma chancezinha, pode ser que Mas o primeiro foi o mais inesperado, acho que foi que mais me marcou.

João Agapito (main) (25:01) Então, por exemplo, primeiro que você disse que não tinha muita técnica, então eu imagino que você também não tinha o melhor equipamento, Porque imagino que, bom, de fora vejo essas fotos lindíssimas que vocês tiram, eu penso que por trás deve ter aquele equipamento que parece uma nave espacial, uma câmera uma lente não sei o quê, blá blá blá. Então, como é que essa aí no âmbito da fotografia, tá?

da barreira de entrada, porque todo mundo sabe que essas câmeras são caras.

Cristine Prates (25:33) Quando eu fiz essa foto, venceu o concurso, eu estava no meu segundo equipamento, que a gente vai andando aos pouquinhos. Era equipamento bem melhor do que o meu primeiro, mas era equipamento usado, não era equipamento de ponta, mas era equipamento bem melhor do que super zoom, que o que a gente normalmente começa usando, equipamento mais acessível. Mas já senti que deu salto.

e realmente, para fotografia, principalmente de aves que você precisa de uma teleobjetiva, os equipamentos são bem Mas, além do equipamento, tem a questão da técnica da fotografia e também dá sorte de pegar momento muito legal, porque, por exemplo, vários concursos de fotografia de aves, às vezes, ganham uma espécie que é uma espécie fácil de ver, que é uma espécie comum, e que, às vezes, com equipamento que não é dos melhores, você consegue se aproximar.

fazer uma foto bonita. conta muito também dos elementos que tem na foto, não só qualidade da fotografia si por causa do equipamento.

João Agapito (main) (26:35) Entendi. E de todas essas fotos assim, teve alguma que foi mais especial pra você? Alguma foto ou alguma ave?

Cristine Prates (26:42) Eu tenho uma foto que eu gosto muito, inclusive eu tatuei ela nas costas, que é da arara Azul de Leá, que a arara que eu trabalho, que ela é aqui da Bahia, uma arara arara

aí é a foto dessa arara voando, carregando caixinho de licuri, é principal fonte de alimento dela. Então ela está com a cauda toda aberta, voo, segurando esse caixinho de licuri. É a minha foto favorita, uma das. Mas que eu já ganhei premiação com que é a que eu mais gosto.

João Agapito (main) (27:11) E para além das premiações, como é para você ver seu trabalho reconhecido por veículos Veículos famosos, como a BBC Brasil, como portal G1, como a revista Plurali.

Cristine Prates (27:24) Então é gostoso ter esse reconhecimento do trabalho, Eu sou muito apaixonada pelo que eu faço, os passarinhos assim, são meu trabalho, minha vida, meu hobby. Então assim, fanática mesmo pelos passarinhos. E aí ter esse reconhecimento muito gostoso, Só, pô, eu tô indo por bom caminho, fazendo o que eu gosto, com Mas o que é poder ter observação de aves divulgada pra fora da nossa porque...

Quando você ama algo na natureza, você reconhece ela.

como parte de vocês. Você tem uma consciência maior do que ela precisa estar ali preservada. E quando você tem essa consciência, assume de forma diferente seu papel de cidadão. Então você procura votar pessoas que têm olhar para isso, você vai isso como Então é uma atividade que gera renda de uma da natureza estando pé.

Então é uma atividade de mínimo impacto inserida na natureza. Então todas essas reportagens saíram da nossa bolha dos observadores de avos. Então isso. Meu sonho é que se expanda cada vez mais essa atividade que mais pessoas conhecem.

João Agapito (main) (28:32) E isso entra também bastante num ponto que eu também vi nas suas matérias no sentido cada vez mais divulgar informações e tornar isso mais todas essas questões que a gente acabou de abordar se a gente torna o universo de pessoas que observam aaves

Isso, diretamente, eles vão se sanando. Então, enfim, vão ter mais cursos, vai ter Então, enfim, eu acho que é efeito cadeia, no final das contas.

Cristine Prates (29:04) Exato, e eu fico assim sonhando que aqui na Chapada tem monte de agência de falei assim, eu sonho dia de entrar nas agências e ver no catálogo de passeios, turismo de observação de aves para as pessoas que nunca nem quiseram, que não sabem nem que existem. Está ali, olha que legal, posso fazer uma trilha para ficar vendo os passarinhos, para conhecer pouco mais sobre eles. isso mais inserido no comum, sabe? Porque eu ainda acho que é muito...

uma coisa muito esquisita, muito restrita, As pessoas estranham. Mas você vive de mostrar a ave para os outros? Que coisa estranha, é ainda muito comum.

João Agapito (main) (29:38) É,

sim, e imagino Brasil mais, que andei vendo, acho que é uma atividade mais popular lá fora, tipo a Europa, os Estados Unidos.

Cristine Prates (29:49) É, lá para os Estados Unidos é bem popular. Aqui no Brasil está crescendo, sabe? Esse evento Avistar, quando eu comecei 2013, eu lembro que era tipo mil, duas mil pessoas. No ano passado reuniu 12 mil. Então, assim, deu salto, né, principalmente depois da pandemia. E aí, cada vez que a gente vai vendo mais reportagem, falando sobre isso, matéria. Está crescendo, está crescendo. Mas ainda tem o potencial para aumentar muito mais, eu acredito.

João Agapito (main) (30:14) Sim, com certeza. aí, bom, Cris, voltando aqui então para tópico pouco sensível, aí, antes de mais nada, a vontade de compartilhar pura e simplesmente o que você quiser, inclusive se não quiser conversar sobre isso, entendo eu também vi

Que você teve a experiência de lutar contra câncer na sua vida, certo? quando foi que aconteceu? Para experiência de lutar contra câncer, o mais importante de tudo, de vencer e estar aqui conversando com a gente agora. Então, gostaria de compartilhar com a gente pouco mais sobre como foi isso.

Cristine Prates (30:36) Sim.

Sim, super. Eu gosto muito de falar sobre esse assunto, porque tema que as pessoas se assustam muito. Realmente é assustador quando se descobre, mas eu acho que poucas de sobreviver sobre isso e que pode ser você tentar fazer isso pouco mais leve. Eu fiquei muito assustada quando eu tive o diagnóstico, mas eu consegui levar muito firme.

E eu acho essa minha vivência no mato, na natureza, ela traz muita calma, muita paz. o meu tratamento foi até rápido comparado a outros tipos de câncer. Eu fiz tratamento de três meses, fiquei longe da minha casa, eu tive que ir para Brasília para fazer esse tratamento. E eu tive que parar a minha vida completamente. Então, assim, não pude trabalhar.

pude fazer nada das coisas que eu gosto, eu sou uma pessoa super ativa, do esporte. Então eu tive que parar tudo e me dedicar 100 % a esse tratamento. E é muito difícil você passar por uma situação que você olha a morte ali de perto, porque é isso, você não sabe. Quando você recebe o primeiro diagnóstico, você ainda não entende como que é, onde está exatamente, qual o grau, qual estágio. Então é susto muito grande. Eu tive câncer no estágio já.

bem avançado, ele estava nível 3, a gente podia até nível 4 no câncer. E aí eu lembro quando eu via filmes, via livro que falavam que as pessoas mudavam depois de câncer, falavam, até parece, povo exagera, não sei o que, mas realmente a gente muda mesmo, sabe? A minha visão para a vida hoje é completamente diferente depois de ter levado esse De valorizar muito mais.

pequenos detalhes da vida, de olhar... já olhava a natureza com muito carinho, mas eu olho agora assim com uma lupa de aumento, assim, da beleza que é você ver sol nascer, você ver uma borboleta, passarinho, de você respirar ar puro, de você viver com intensidade, assim, paixão pela vida mesmo, sabe? E esse câncer ficou assim, assim, morado...

No interior é complicado, a gente não tem tanto acesso à questão médica e tal, eu que eu tapei pouco meus olhos para a questão minha saúde, prol de trabalhar e fazer muito, e querer abraçar o mundo com as pernas e querer atender tudo que batia na minha porta. Então eu aprendi a ser uma pessoa que vive muito mais. Eu faço meu trabalho com muito mas eu olho com muito mais amor para a minha saúde.

para os meus Então eu virei uma pessoa diferente disso, assim, de me cuidar muito mais na questão da saúde, na questão de fazer esporte, de pôr limites, de me dar descanso, de negar trabalho. Isso, eu acho que eu vivo muito melhor, né? Eu, nunca esbravejei por ter tido essa doença, eu só aceitei e falei, tá, é isso que eu tive, como é que eu vou tratar?

que eu tenho que fazer? Lógico que rodeada de vários privilégios de ter pessoas que me apoiaram, que tenham plano de saúde, torna tudo muito mais tranquilo de se viver. Mas eu sou muito grata ter tratamento muito bom, por ter sequelas mínimas. Tem pessoas que ficam com sequelas muito graves, muito difíceis de viver. As minhas são pequenas, comparadas a outras pessoas que passam por esse mesmo câncer.

isso, eu sou grata. Sou grata por estar feliz, vivendo, podendo compartilhar com outras pessoas que o tratamento, hoje dia, é muito avançado, muito possível, e que se a gente se olha e se cuida, a gente pode ter o diagnóstico bem antes do que eu tive.

Cristine Prates (34:40) é isso de estar atenta ao corpo, O corpo dá sinal o tempo inteiro, então a gente tem que estar muito atento para cuidar dele, que ele que vai levar a gente para todos os lugares.

João Agapito (main) (34:53) Obrigado por compartilhar sua jornada de luta. E mais importante de pela vitória. É difícil até imaginar, nunca ter passado por nada parecido. Você estava contando sobre a questão de como a luta contra o cancer transformou a forma, ou pelo menos...

mudou a forma como você aprecia pequenas coisas da que isso impactou você na observação de aves, Porque eu imagino que, já é uma paixão que você tem desde pequena e etc., eu imagino que já era uma coisa que você apreciava bastante.

Mas você acha que depois do câncer, o seu ainda foi mais intensificado? E se sim, como?

Cristine Prates (35:41) Acho que sim, foi mais Eu comecei a partilhar muito, desde a época do câncer, o meu tratamento, eu acho que comecei a partilhar muito mais da minha vida, por exemplo, no falando sobre essas coisas, inclusive alertando sobre o câncer. E eu acho que comecei a partilhar muito essa minha paixão que ficou muito latente, tudo, pela natureza, pela E aí eu recebi...

Comecei a receber vários feedbacks das pessoas dizendo aqueles relatos estavam fazendo elas olharem diferente para as coisas, sabe? Olharem com mais atenção para a natureza, para as força de você seguir tratamento de feliz, apesar de você estar passando por monte de dificuldade, monte de...

de efeito colateral chato pra caramba, eu sempre me mantive positiva, feliz, compartilhando natureza, mostrando tanto que ela foi apoio, abraço durante esse período que foi difícil, sabe? E eu acho que isso fez eu conectar com muitas pessoas que, inclusive, me procuram pra poder guiar elas, sabe? Então, acho que teve essa conexão das pessoas quererem estar perto pra viver pouco disso próximo,

João Agapito (main) (36:53) Que bacana, isso deve fazer toda a atividade que já é muito prazerosa pra você, ainda mais gratificante, Que legal.

Cristine Prates (37:00) Super, super.

João Agapito (main) (37:01) E, quais são os seus planos para o futuro? E projetos assim?

Cristine Prates (37:07) projeto que chama Bem Passarinha, que é evento de observação de aves que acontece vários lugares do Brasil, ele começou São Paulo, mas aí várias pessoas foram São seus filiais desse projeto várias partes do país. E aí a gente estreou aqui na Chapada fevereiro. Era sonho que eu tinha desde quando eu me mudei pra cá, de evento, porque você...

consegue apresentar para as pessoas a observação de aves, que uma atividade que não muito barata se você for pensar equipamento, contratação de guia, Então é evento que é 100 % e aí a gente coloca na mão das pessoas binóculos, lunetas, e aí abre para todas as idades, qualquer pessoa. E aí foi possível começar esse Vem Passarinha na Chapada, e a gente vai fazer ele de forma itinerante, e ideia é que a cada dois meses ocorra num município diferente da Chapada.

Então, é uma forma de levar essa atividade para as pessoas, sair da bolha de novo, sempre nessa E aí, o sonho muito também de tentar viver do turismo de observação de aves. Eu estou sempre tentando sair pouquinho da consultoria ambiental, dedicar pouquinho mais a agência e fazer essa transição. Esse é o maior sonho.

João Agapito (main) (38:17) Que bacana, parabéns pela iniciativa de rodar e trazer e observação de aves acessível, Mas, enfim, trazer pessoas que nunca tiveram contato com a prática conhecer. Então, acho que isso é muito importante e muito bonito. Parabéns, de verdade.

Cristine Prates (38:36) Valeu! E aí a ideia também que a gente tenha mais guias de observação de aves na Chapada, porque é uma região gigante, potencial incrível, e sou eu e o Thalisson, que é de outro município. Não tem mais. Então, lugar que leva pessoas do mundo inteiro para fazer trilhas, travessias, seria muito interessante ter guias que pelo menos falassem pouco sobre as aves, compartilhassem sobre esse conhecimento também.

João Agapito (main) (39:01) que bacana e aí bom você falou aqui sobre projetos futuros falou sobre sonho que querendo ou não ainda é bem factível mas tem alguma coisa maior assim que você sonha enquanto bióloga enquanto amante das aves

Cristine Prates (39:16) dia a gente ter governo que olhe realmente a natureza, para a conservação, para a preservação, porque a gente entra governo de esquerda, de direita, tanto faz, o meio ambiente é sempre deixado muito de lado, sabe? Muito, muito de lado. Então, o sonho Eu acho que da bióloga esperançosa é esse, que a natureza seja...

tem olhar muito mais governos, dos órgãos seja feita de uma forma mais séria, que nem sempre o dinheiro fale mais alto do que a preservação, porque a gente é a natureza, a gente é parte dela. Faz pouquíssimo tempo que o homem se da natureza, a evoluiu durante milhões de anos aí, sendo parte dela. Então, como é que pode...

de pouco tempo pra cá simplesmente se desvincular e tratar ela de uma forma tão horrorosa como a gente trata. A gente vai colher esses frutos, já tá colhendo, na verdade, mas eu ainda fico com sonho e com a esperança de que tenha olhar mais cuidadoso com ela.

João Agapito (main) (40:21) Sim, bacana. E bom, eu encerrei aqui as minhas perguntas, deixar esse passo pra você, caso você queira deixar uma mensagem final aí pra pessoas estão interessadas na prática, pra eventualmente mulheres, né, você que tem esse papel de pioneirismo como de Nordeste. Então, assim, tem alguma mensagem final, assim, que você gostaria de deixar pra galera?

Cristine Prates (40:46) As pessoas que nunca observaram a Aves eu queria indicar para conhecerem porque é uma atividade muito divertida. Às vezes a pessoa fala, não deve ser TED, mas não, não é, é muito divertido. Todo mundo que pratica pela primeira vez gosta muito. Então se tiver a oportunidade, pratique porque é muito bom. É uma atividade que são para todas as idades, que você pode fazer com a sua família, para quem tem problemas com locomoção, que não pode fazer uma trilha muito longa, é super...

fácil de fazer vários lugares, parques. Então aproveitem para conhecer. Se você já é mulher observadora de aves, quiser conhecer a nossa rede da Ornithomulheres, gente está no Instagram, pode procurar, a tem grupo no WhatsApp que também quiser fazer parte. E é isso, olhar para a natureza com cuidado, com amor, conhecer ela para cuidar cada vez mais.

João Agapito (main) (41:36) Belas palavras, muito obrigado!